HINO Introdutório
João 1.1-18.
¹No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
2 Ele estava no princípio com Deus.
³Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.
4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.
O estudo que De Ausejo faz dos hinos do NT sugere que a solução está em ver que o poema original que subjaz ao Prólogo era um hino da igreja joanina. Os hinos a Cristo são mencionados no NT em Ef 5.19
"falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais,"
e, talvez, também em Cl 3.16.
"Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração."
Plínio, escrevendo a Trajano mais ou menos em 111 d.C. (Epist. 10, 96:7), descreve os cristãos de Bitínia, na Ásia Menor, como a cantar "um hino a Cristo como a um Deus". Eusébio (Hist. 5, 28:5; GCS 95500) cita um testemunho que fala de salmos e hinos que desde o princípio eram entoados a Cristo como a Palavra, divinizando-o. É interessante que estas referências a hinos tenham algum a conexão com a Ásia Menor; assim a conjectura de que o original do Prólogo era um hino da igreja joanina em Efeso tem um a reivindicação à probabilidade. Para comprovar esta hipótese, primeiro comparem-os o Prólogo com algum dos hinos neotestamentários conhecidos.
Se analisarmos Fp 2.6-11,
"pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira e lhe deu o nome que está acima de todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus"
descobrimos uma sequência não diferente da do Prólogo. Filipenses começa o hino com Cristo Jesus existindo na forma de Deus, com o o Prólogo começa nos informando que a Palavra era Deus. Filipenses diz que Jesus se esvaziou e assumiu a forma de um servo, vindo a existir [ou nascer] na semelhança de homem ; o Prólogo diz que a Palavra se fez carne. Filipenses diz que Deus exaltou a Jesus a tal ponto que toda língua proclame que Jesus é o Senhor, para a glória do Pai; o Prólogo termina com o tema de Deus, o único Filho, estando sempre ao lado do Pai, e o v. 14 fala da glória de um Filho único vindo da parte do Pai. Em ambos os casos, a exaltação ou glória é testificada pelos homens.
Uma análise de Cl 1.15-20
"Este é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; pois, nele, foram criadas todas as coisas, nos céus e sobre a terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, sejam soberanias, quer principados, quer potestades. Tudo foi criado por meio dele e para ele. Ele é antes de todas as coisas. Nele, tudo subsiste. Ele é a cabeça do corpo, da igreja. Ele é o princípio, o primogênito de entre os mortos, para em todas as coisas ter a primazia, porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude e que, havendo feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele, reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, quer sobre a terra, quer nos Céus."
também mostra similaridades com o Prólogo (ver J. M. Robinson, JBL 76 [1957], 278-79). Em Colossenses, ouvimos que o Filho é a imagem do Deus invisível; no Prólogo, ele é a Palavra de Deus. Em Colossenses, todas as coisas são criadas em, através de e para o Filho; no Prólogo, todas as coisas são criadas através de, em e não à parte da Palavra. Em Colossenses, o Filho é o princípio; no Prólogo, "No princípio era a Palavra". Em Colossenses, toda a plenitude habita no Filho e todas as coisas são reconhecidas através dele; no Prólogo, todos nós temos participação na plenitude da Palavra-que-se-fez-carne.
Mesmo um breve hino com o o de 1Tm 3.16
"Evidentemente, grande é o mistério da piedade: Aquele que foi manifestado na carne foi justificado em espírito, contemplado por anjos, pregado entre os gentios, crido no mundo, recebido na glória."
mostra paralelos ao Prólogo. Ali ouvimos: "Ele se manifestou na carne... ele foi elevado em glória". Os versículos iniciais de Hebreus formam um breve prólogo na forma de hino que lembra o Prólogo joanino. Hb 1.2-5
"nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo. Ele, que é o resplendor da glória e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela palavra do seu poder, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles. Pois a qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho, eu hoje te gerei? E outra vez: Eu lhe serei Pai, e ele me será Filho?"
sem usar a expressão "a Palavra", diz que Deus "nos falou por meio do Filho... em quem tam bém criou o mundo. Ele reflete a glória de Deus... sustentando o universo por sua palavra [rema] de poder. Quando fez a purificação dos pecados, ele se assentou à mão direita da Majestade nas alturas".
Continuação...
6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.
7 Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.
8 Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.
9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.
10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.
11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
12 Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;
13 Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.
14 E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.
15 João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.
16 E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça.
17 Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.
18 Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.
Comentário Raymond Brown
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